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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Líderes estudantis presos
2 meses antes do AI-5


Fátima Reis

Em 1968, a ditadura - que havia amordaçado o movimento operário, com fechamento e intervenções em sindicatos, e a perseguição implacável aos partidos de esquerda - encontrava ainda a resistência do movimento estudantil, que por um tempo conseguiu manter o espírito de oposição.

Em outubro deste ano, entretanto, os estudantes foram definitivamente reprimidos, no 30º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), ocorrido em Ibiúna, interior de São Paulo.

Cerca de 100 mil estudantes estavam reunidos, quando a polícia interrompeu o evento e prendeu mais de 900 militantes, inclusive o presidente da UNE, Luis Travassos.

O congresso iria eleger o novo presidente da entidade e havia uma forte disputa entre o ex-deputado federal José Dirceu e o estudante Jean Marc Von Der Weid, candidato de Travassos.

Com a prisão da diretoria da UNE, a eleição foi adiada e só veio a ocorrer através dos congressos estaduais, entre novembro de 1968 e abril de 69, empossando Jean Marc.

>> Leia notícia da época no Banco de dados Folha
AI-5: notícia que não saiu

Cássia Duarte

Aconteceu há 40 anos e deixou um rastro de sangue. O Ato Institucional número 5 marcou a história do Brasil de 1968. Deu plenos poderes ao presidente, permitindo todo tipo de punição aos chamados “inimigos do regime”, o fortalecimento da censura, o fechamento do Congresso Nacional e a repressão política implacável e sem freios.

Por meio do AI-5 também seria possível demitir juizes e outros funcionários públicos, julgar crimes políticos em tribunais militares e, o pior, fazer uso da tortura, assassinato e outros crimes.

O chamado “quarto poder” pouco podia fazer diante da proibição de exercer sua função: denunciar os fatos. Nesta ocasião, a publicação de Dom Pedro I, que abolia a censura no Brasil era totalmente ignorada, já que a imprensa estava impossibilitada de trazer notícias que feriam os interesses do regime.

O não cumprimento das normas resultava em severa punição e é por isso que muitas pessoas neste período desapareceram.

Para o jornalista Emiliano José, que vivenciou o momento, “a ditadura militar resolveu sua crise de identidade em 13 de dezembro de 68, a partir do AI-5, quando era permitido seqüestrar e matar”.

Arte amplificou ideais de liberdade

Eduardo César

Durante a década de 60, o conservadorismo, as guerras e os governos autoritários atiçaram os ideais contrários a uma ordem que prevalecia sob a mira da repressão. As respostas e recusas a este contexto ganharam destaque no âmbito artístico e estudantil.

Poetas, escritores, músicos, estudantes e boêmios indignaram-se e foram às ruas contra o totalitarismo. No ano de 1968, as manifestações artísticas foram as principais alternativas capazes de amplificar os ideais de libertação.

No meio cinematográfico, o Cinema Novo e o Cinema Marginal contemplaram produções baratas, a linguagem coloquial e a abordagem de temas relacionados à população brasileira. O nordeste do Brasil e o cotidiano das grandes metrópoles foram alvos do olhar crítico de diretores como Glauber Rocha e Ruy Guerra.

Definido por Caetano Veloso como o avesso da Bossa Nova, o Tropicalismo buliu na maneira de se pensar e fazer música no Brasil. Artistas como o maestro Rogério Duprath, Tom Zé, Gilberto Gil e os Mutantes adicionaram à música popular brasileira ingredientes do rock, como a psicodelia, guitarras ruidosas e doses de experimentalismos.

No teatro, em janeiro de 1968, estreou a peça Roda Viva, com direção de José Celso Martinez Correia e texto de Chico Buarque de Holanda. Em cena, a violência e palavrões em uma história marcada pela contundência contra o regime militar foram suficientes para incomodar o Estado.

No fim de 1968, o Ato Inconstitucional n° 5 provocou o exílio e a prisão de artistas, políticos e intelectuais de esquerda.

Médici: o presidente "mão de ferro"

Brumna Braga

Gaúcho nascido no dia 4 de dezembro de 1905, na cidade de Bagé, Emílio Garrastazu Médici estudou em colégios militares. Apoiou o golpe de 1930 e, em 1932, aliou-se às forças que lutaram contra a Revolução Constitucionalista de São Paulo.


Sua carreira política teve início quando foi convocado a assumir o lugar do presidente Costa e Silva, afastado do cargo. Médici tomou posse no dia 30 de outubro de 1969, em eleição indireta.

O governo de Médici foi marcado por um grande lado negativo. Foi nesse período que o Brasil viveu a maior censura nas áreas culturais: música, imprensa e teatro. Apoiado no AI-5, ele não poupou violência contra aqueles que lutavam contra a ditadura.

Ao mesmo tempo em que seus chefiados torturavam e faziam "desaparecer" muitos cidadãos, Médici podia se gabar do fato de que a economia do país ia muito bem.


Conhecido como o período do “Milagre Brasileiro”, o país viveu durante uma parte da ditadura de Médici uma fase de grandes avanços econômicos e constitucionais. O PIB cresceu, a inflação estabilizou, a indústria expandiu e o mercado interno aumentou.

Mas todo esse avanço teve alguns “efeitos colaterais”: a inflação subiu e o país se endividou. O aumento do petróleo e o endividamento brasileiro fizeram com que o inconsistente “milagre” se tornasse um pesadelo e enfraquecesse o governo militar.

O presidente “mão de ferro” morreu em 1985 com 79 anos.

Expediente

Edição
Tatiana Lima (Mtb 1473), Ronney Argolo, Maria Ísis
Redação
Local: Ana Carolina Souto, Midiã Santana, Leandro Pessoa, Maria Ísis, Ronney Argolo.
Nacional: Cássia Duarte, Bruna Braga, Fátima Reis, Eduardo César.
Internacional: Laura Santana, Jaqueline Barreto.
Fotos: Leonardo Carvalho.